O Conceito de Educação pela Arte


Como diz o professor e pedopsiquiatra Arquimedes da Silva Santos, “…nunca propusemos qualquer estrita definição, antes aceitando uma conceção geral que inter-relacione conceitos vagos e vastos de “educação” e de “arte” numa perspetiva de quem considera, sobretudo e para além das palavras, a importância da atividade pedagógica pelas expressões artísticas no desenvolvimento, bio-sócio-psicologicamente, de crianças e adolescentes” .

Sem nos atermos a um conceito restritivo de educação pela arte, podemos no entanto deduzir três ou quatro características desse movimento:

1. A Educação pela Arte atende sobretudo à formação da personalidade que se processa de uma forma considerada “contínua e ascendente” ao longo da vida. Os militantes da Educação pela Arte defendem, portanto, uma Educação pela Arte generalizada, desde o jardim de infância até ao ensino superior.
A Educação pela Arte visa, em primeiríssimo lugar, o desenvolvimento harmonioso da personalidade humana, isto é, não visa prioritariamente a formação de artistas (embora o possa fazer), nem a “formação de novos públicos” (embora também tenha esse efeito), nem a facilitação de outras aprendizagens ditas mais académicas (embora o faça também certamente). Mas o que visa realmente é contribuir para o desenvolvimento mais global da personalidade de todo o ser humano.

2. A Educação pela Arte implica uma pedagogia ativa, procura promover a criatividade da criança e do jovem, fomentando a sua expressividade e dela partindo para uma educação estética e para outras situações educativas.

3. Considera-se as atividades expressivas, criativas, artísticas, estéticas “intimamente implícitas na formação integral e humanista da criança e do adolescente”, ou seja como que se inserindo numa dimensão ética da educação.

4. Finalmente, creio existir ainda um outro aspeto da Educação pela Arte – o desenvolvimento afetivo, emocional – que muito interessou pedopsiquiatras como João dos Santos e Arquimedes da Silva Santos, nele assentando como que uma “arteterapia”, mas que também encontrou eco em Calvet de Magalhães e na sua escola Francisco de Arruda.

Publicado 12 de dezembro 2013 por Inquietações Pedagógicas – Maria Emília Brederode Santos – Calvet de Magalhães e o Movimento da Educação pela Arte